O que são as células estaminais?

Todos os nossos tecidos, órgãos e sistemas são constituídos por células especializadas, cada uma das quais com particularidades únicas, que a tornam diferente de todas as outras. Os neurónios (células do cérebro), por exemplo, são bastante diferentes dos osteoblastos (células do osso) ou dos glóbulos vermelhos (células do sangue), mas é esta variedade de formas e funções que confere a cada órgão as suas propriedades específicas no organismo.

No entanto, as células não nascem já especializadas, bem pelo contrário. Os nossos tecidos estão em permanente regeneração, necessitando constantemente de novas células para se reparar, crescer e funcionar. Sendo uma "máquina" extremamente eficiente e racional, o nosso corpo não produz quantidades maciças de células especializadas que, simplesmente, pode não vir a necessitar; na verdade, produz elementos base, capazes de se transformar em novas células para praticamente todos os tecidos do nosso organismo. É a estes "elementos base", capazes de se auto-renovarem, multiplicarem infinitamente e se diferenciarem nas várias linhagens celulares, que chamamos células estaminais.

Entre os vários tipos de célula estaminal encontram-se as que produzem o nosso sangue. Produzimos estas células naturalmente ao longo de toda a vida, no interior dos nossos ossos (medula óssea). No entanto, também se encontram no sangue placentário, e a sua recolha no momento do parto a partir do cordão umbilical apresenta várias vantagens, nomeadamente:

  • Obtenção não invasiva e indolor
  • Possível aplicação terapêutica
  • Possibilidade de maior compatibilidade devido ao maior grau de indiferenciação destas células
  • Menor incidência da doença do transplante contra o hospedeiro
  • Menor probabilidade de transmissão de doenças infecciosas
  • Disponibilidade imediata.

Para que servem?

Ao longo da vida – e na maior parte dos casos – o nosso corpo consegue compensar todos os pequenos desajustes e regenerar-se por si próprio. Infelizmente, certas doenças são tão exigentes e complexas que o nosso organismo não as consegue superar sem ajuda externa. Entre estas doenças encontram-se, por exemplo, a leucemia, o cancro, problemas com a medula óssea, disfunções hematológicas, imunodeficiências, entre outras.

Até há algum tempo atrás, a única via para solucionar estes problemas consistia em procurar um dador de medula óssea o mais compatível possível, de modo a minorar a possibilidade de rejeição do transplante. E, ainda assim, mesmo quando se conseguia superar as dificuldades em encontrar um dador compatível (com probabilidades por vezes infinitesimais), o sucesso do transplante não estava garantido e podia redundar noutros problemas igualmente graves.

Atualmente, a recolha das células estaminais do sangue do cordão umbilical, normalmente descartado durante o parto, pode constituir para o dador uma fonte que lhe permita fazer terapia celular com as suas próprias células em determinadas doenças, sem necessidade de se submeter a listas de espera para a doação de tecidos e células ou sem ter que arriscar terapias com células menos compatíveis.

Células estaminais da medula óssea

Já todos ouvimos falar em "transplantes de medula" para tratar, por exemplo, leucemias e outras doenças graves do foro hematológico, genético ou oncológico. Mas sabia que, na verdade, este processo se trata de um transplante de células estaminais?

O tratamento destas doenças envolve, muitas vezes, a eliminação das células doentes através de rádio ou quimioterapia. Mas, infelizmente, estas intervenções são tão agressivas que acabam por danificar também as células normais. Desta forma, para reconstituir o tecido sanguíneo do doente, utilizamos células estaminais da medula óssea que, pelo seu enorme potencial proliferativo e regenerativo, são ideais para estes tratamentos tão delicados.

O transplante de medula consiste, portanto, no ato de transplantar células estaminais da medula óssea saudáveis para a medula de um doente. Com um senão... o problema da compatibilidade entre o dador e o receptor. Estatisticamente, pode ser muito difícil encontrar um dador compatível. Infelizmente, este continua a ser, em demasiados casos, um desafio inultrapassável e fatal.

Células estaminais do sangue e tecido do cordão umbilical

Onde podemos encontrar fontes alternativas de células estaminais?

No momento do nascimento, devido ao desenvolvimento do feto, existem células estaminais hematopoiéticas em tudo semelhantes às da medula óssea, em circulação na corrente sanguínea que circula entre a placenta e o recém-nascido, pelo cordão umbilical.

A altura do parto é, portanto, o momento ideal para recolher estas células fantásticas!

Normalmente, a placenta e o sangue nela contido são descartados logo após o nascimento, desperdiçando-se todo o potencial proliferativo e regenerativo das células estaminais. Mas, num serviço de criopreservação, a equipa médica assegurar-se-á de proceder à sua recolha, sem incorrer em qualquer tipo de dano ou consequência para o bebé ou para a mãe.

O próprio cordão umbilical contém células estaminais mesenquimais no tecido designado de geleia de Wharton, e estas células têm revelado muito potencial em vários tipos de aplicação terapêutica.

Investigação científica

Hoje em dia, as linhas de investigação mais ativas nesta área estão focadas em vários campos distintos, nomeadamente:

  1. Melhoria dos sistemas de colheita do sangue do cordão umbilical, de modo a minorar a possibilidade de contaminação e a otimizar a quantidade de sangue recolhido
  2. Melhoria do sistema de transporte do sangue desde a maternidade ao centro de processamento e armazenamento, de modo a otimizar o método de acondicionamento em que se maximiza a viabilidade das células transportadas
  3. Otimização do processamento e criopreservação das células estaminais do cordão umbilical, de modo a minimizar as perdas de células estaminais, assegurar a sua viabilidade, otimizando os sistemas de congelamento e conservação em azoto líquido
  4. Desenvolvimento dos métodos de transplante das células estaminais, utilizando unidades múltiplas de sangue do cordão umbilical, transplantes de células estaminais mesenquimais conjuntamente com as unidades de sangue do cordão umbilical, transplantes de unidades de sangue do cordão umbilical expandidas ex vivo, transplantes não mieloablativos ou de condicionamento reduzido, e também através da expansão ex vivo das células estaminais e engenharia de implantação, para permitir um uso mais alargado das células estaminais em vários contextos, nomeadamente, revascularização de tecidos, reconstituição óssea e doenças das articulações, aceleração da cicatrização, recuperação de tecido cardíaco, muscular, nervoso e fígado.
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