Como se processa uma criopreservação?

Como se processa uma criopreservação?

A criopreservação é feita com recurso à colocação de material biológico em contato com azoto líquido, que se encontra a uma temperatura de -196ºC.

Os tanques criogénicos usados na Bioteca baseiam-se num banho termostático em azoto líquido, o que permite um arrefecimento homogéneo do seu interior e evita que, em caso de falha da corrente elétrica, ocorra o descongelamento do interior do tanque. Isto assegura um armazenamento fiável e duradouro.

O que é a criopreservação?

A criopreservação das células estaminais consiste no congelamento das células a baixas temperaturas através de um processo de descida gradual e controlada da temperatura de forma a permitir manter as características das células, nomeadamente a sua viabilidade e posterior armazenamento em contentores de azoto líquido a < -150°C.

As células estaminais, mantidas neste estado de "vida suspensa", podem assim ser conservadas durante largos anos, sem que percam as suas propriedades originais, prontas a ser utilizadas quando necessário.

O futuro da criopreservação

As células estaminais têm revelado um grande potencial promissor na estratégia terapêutica de várias doenças, ainda que atualmente o leque de terapias com células estaminais hematopoiéticas esteja essencialmente focado nas doenças do foro hematológico (doenças do sangue).

No entanto, a sua possível aplicação futura na área da medicina regenerativa revela o fantástico potencial destas células. Nos últimos anos têm vindo a desenvolver-se métodos para a caracterização e purificação destas células com vista ao seu uso em programas de regeneração e transplante de tecidos.

Isto pode querer dizer que, no futuro, a aplicabilidade das células estaminais do cordão umbilical poderá vir a ser drasticamente mais alargada, muito para além dos problemas de origem hematológica e oncológica. Os transplantes com células estaminais hematopoiéticas para tratar doenças do sangue e do sistema imunitário estão largamente implementados, sendo que para situações clínicas tais como diabetes, doenças cardiovasculares, neurológicas (incluindo esclerose múltipla, Parkinson e paralisia) e muitas outras patologias, têm sido descritos vários estudos e ensaios clínicos com células estaminais. Assim, a julgar pela marcha imparável da ciência nos últimos anos, porque não esperar que passe da fase experimental à terapia de eleição? Afinal, quem esperava, há 20 anos atrás, que a criopreservação fosse hoje uma realidade acessível a todos?

Vantagens da criopreservação

Desde há mais de 40 anos que a terapia com células estaminais hematopoiéticas (que produzem sangue) tem sido levada a cabo com sucesso, surgindo o sangue do cordão umbilical como uma fonte alternativa à medula óssea para obtenção destas células.

Hoje em dia, o transplante das células estaminais do sangue do cordão umbilical é utilizado para tratar ou curar, eficazmente, mais de 80 doenças graves.

A gravidade destas doenças e o reduzidíssimo leque de opções terapêuticas torna muito relevante o recurso à criopreservação. Este processo possibilita o armazenamento das células em condições controladas e adequadas à sua posterior utilização terapêutica, permitindo uma disponibilidade imediata perante uma situação clínica que se possa manifestar mais tarde ao longo da vida, o que elimina os problemas resultantes da procura de um dador voluntário, saudável e compatível.

A disponibilidade das suas próprias células para tratamento (transplante autólogo), elimina os problemas de compatibilidade entre o dador e o recetor. Além disso, a unidade de sangue armazenada poderá ser utilizada mais facilmente por um membro da mesma família (transplante alogénico), já que a probabilidade de compatibilidade entre eles é muito mais elevada do que na rede de dadores em geral.

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