Anemia aplásica: Uma anemia é uma condição em que o corpo produz poucos glóbulos vermelhos. Uma aplasia refere-se ao desenvolvimento insuficiente ou deficiente de um órgão. Assim, uma anemia aplásica é um problema da medula óssea em que esta, além de não produzir glóbulos vermelhos suficientes, também produz poucos glóbulos brancos e plaquetas, o que também pode ser descrito como pancitopenia. Na maior parte dos casos, a causa desta doença é desconhecida, mas esta condição é muitas vezes associada à exposição a substâncias tóxicas, tais como o benzeno, ou exposição a radiação.
Anemia de Fanconi: doença de origem genética em que há uma produção deficiente de todos os tipos de células sanguíneas. Como sintomas destacam-se malformações esqueléticas, baixa estatura, atraso no desenvolvimento cognitivo e anomalia renal, entre outros.
Anemia falciforme: também conhecida como drepanocitose, é uma malformação hereditária dos glóbulos vermelhos, em que estes têm a forma anormal e rígida de uma foice, ao invés da forma discoidal bicôncava e flexível normal. Esta alteração é devida a uma mutação no gene da hemoglobina, que causa vários sintomas e conduz uma diminuição da esperança média de vida. Esta patologia pode ser curada com recurso a transplante de sangue do cordão umbilical.
Asma: é uma doença inflamatória crónica dos brônquios, em que estes estreitam devido a vários factores genéticos e ambientais. Os sintomas vão desde a sensação de falta de ar a tosse e aperto torácico, que normalmente são reversíveis espontaneamente ou através de tratamentos.
Autismo: é um distúrbio do desenvolvimento neurológico que se caracteriza por dificuldades nas interações sociais e na comunicação, e também por comportamentos repetitivos e limitados. Não é conhecida a causa do autismo, embora se reconheça uma forte componente genética, e também não existe cura.
Biologia dos transplantes: a ciência que estuda o transplante de órgãos e de células. Os biólogos de transplantação investigam questões científicas para compreender porque é que tecidos e órgãos estranhos são rejeitados, como é que os órgãos transplantados funcionam no receptor, como é que esta função pode ser mantida e melhorada, e como é que o órgão a ser transplantado deve ser manuseado para se obterem os melhores resultados.
Blastocisto: a um embrião não implantado com cerca de 150 células dá-se o nome de blastocisto. O blastocisto é uma esfera feita de uma camada externa de células (o trofoblasto), que irá dar origem à placenta, com uma cavidade cheia de fluido (o blastocelo), e um conjunto de células no seu interior a partir do qual se derivam as células estaminais (a massa celular interna). As células estaminais embrionárias humanas são normalmente derivadas a partir de blastocistos de quatro ou cinco dias.
Células de estroma: são células não sanguíneas derivadas a partir de órgãos do sistema sanguíneo, tais como a medula óssea ou o fígado fetal, que são capazes de auxiliar o crescimento de células do sangue in vitro. As células de estroma que constituem a matriz dentro da medula óssea derivam de células estaminais mesenquimais.
Célula estaminal adulta: são células estaminais localizadas em vários tecidos de um organismo adulto que se mantêm num estado indiferenciado, ou não especializado. As células estaminais adultas podem auto-renovar-se e (dentro de certos limites) diferenciar-se de modo a produzir todos os tipos especializados de células do tecido de onde originaram. Por exemplo, uma célula estaminal do coração pode dar origem a uma célula muscular do coração. Alguns cientistas acham que as células estaminais adultas podem ser capazes de dar origem a uma grande variedade de tipos celulares diferentes, e há muita investigação a explorar esta questão. Actualmente, existem várias limitações à utilização de células estaminais adultas:
• Embora tenham sido identificados muitos tipos de células estaminais adultas multipotentes, células estaminais adultas que possam originar todos os tipos de células e de tecidos ainda não foram encontradasl.
• Estas células também poderão não ter a capacidade de multiplicação que as células estaminais embrionárias possuem.
• As células estaminais adultas podem ser difíceis de isolar e purificar pois muitas vezes estão presentes em quantidades diminutas.
• Finalmente, ao longo do seu tempo de vida, as células estaminais adultas podem acumular anomalias no DNA – causadas pela exposição solar, toxinas, e erros na cópia de mais DNA.
Células estaminais do cordão umbilical: células estaminais semelhantes às células estaminais hematopoiéticas (do sangue). Estas células foram numa primeira fase usadas para tratar doenças do sangue, como a leucemia. Investigação recente sugere que o revestimento exterior do cordão umbilical contém células estaminais que poderão ter a capacidade de se diferenciarem em muitos tipos de células. Os cientistas estão a explorar activamente esta descoberta.
Células estaminais embrionárias: células primitivas (indiferenciadas) do embrião que têm o potencial de se transformarem em todos os tipos de célula do corpo humano. As células estaminais embrionárias encontram-se na massa celular interna dos blastocistos (um embrião muito precoce constituído por cerca de 150 células). Os cientistas estão a trabalhar empenhadamente para desenvolver métodos que permitam identificar facilmente células estaminais embrionárias, e controlar o modo de modificá-las em tipos de células específicos (células do cérebro, do coração ou do pâncreas, por exemplo).
Células estaminais hematopoiéticas: as células estaminais hematopoiéticas dão origem a todos os tipos de células do sangue: hemácias, linfócitos B e T, células NK, neutrófilos, basófilos, eosinófilos, monócitos, macrófagos e plaquetas.
Células estaminais mesenquimais: são células estaminais da medula óssea que se podem transformar em osso, cartilagem, gordura ou tecido conectivo. Estas células são também conhecidas como células do estroma da medula óssea.
Células estaminais multipotentes: células estaminais que poderão dar origem a vários outros tipos de células, mas em número limitado. Um exemplo de células multipotentes são as células hematopoiéticas – células estaminais do sangue que se podem diferenciar em vários tipos de células de sangue. Os cientistas há muito que são da opinião que células diferenciadas não podem ser alteradas ou induzidas a comportarem-se de outra maneira que não aquela a que foram conduzidas naturalmente. Novas pesquisas, no entanto, têm questionado estas afirmações e está a ser desenvolvida muita investigação em torno deste assunto.
Células estaminais neuronais: células estaminais no cérebro que dão origem aos seus três tipos principais de células: células do sistema nervoso (neurónios) e duas categorias de células não neuronais denominadas astrócitos e oligodendrócitos.
Células estaminais pluripotentes: células capazes de dar origem a todos os tipos celulares constituintes de um corpo adulto. As células estaminais embrionárias são consideradas pluripotentes. As células estaminais pluripotentes não conseguem, em circunstâncias normais, dar origem a tecidos “extra-embrionários”, tais como a bolsa amniótica, o córion e outros componentes da placenta.
Células estaminais pluripotentes induzidas (CEPi): células adultas reprogramadas para um estado semelhante ao de células estaminais embrionárias ao serem forçadas a expressar factores importantes para a manutenção de “estaminalidade” de células estaminais embrionárias. As CEPi de ratinhos demonstraram características importantes de células estaminais pluripotentes, incluindo a expressão de marcadores de células estaminais, a formação de tumores com células dos três folhetos germinativos, e serem capazes de contribuir para muitos tecidos diferentes ao serem injectadas em embriões de ratinhos num estádio muito precoce do seu desenvolvimento. As CEPi humanas também expressam marcadores de células estaminais e são capazes de gerar células características dos três folhetos germinativos.
Células estaminais totipotentes: células de óvulos fertilizados nos primeiros dias a seguir à fertilização, que dão origem a todas as células encontradas num organismo em desenvolvimento, incluindo a placenta (que alimenta o embrião humano).
Células progenitoras: células que se podem diferenciar num número limitado de tipos de células, mas que não se podem auto-renovar ou produzir mais células estaminais. Por exemplo, as células progenitoras do sangue contidas na nossa medula óssea só podem produzir glóbulos vermelhos e brancos.
Citomegalovirus (CMV): é um vírus da família dos vírus do herpes que tem a característica de se manter latente no corpo que infecta para o resto da sua vida. A infecção é geralmente assintomática, embora em doentes imuno-suprimidos possa ser letal. O CMV é o vírus mais frequentemente transmitido durante a gravidez, que se ocorrer durante as primeiras 16 semanas pode causar sequelas no sistema nervoso do feto, tais como surdez.
Clonagem terapêutica: O objectivo da clonagem terapêutica é criar células que são completamente compatíveis com um paciente. Ao combinar o núcleo de um célula somática do paciente com um ovo enucleado, um cientista pode colher células estaminais embrionárias a partir do embrião resultante que podem ser utilizadas para gerar tecidos que são compatíveis com o corpo do paciente. Isto significa que os tecidos criados provavelmente não serão rejeitados pelo sistema imunitário do paciente.
Compatibilidade HLA: A maior parte das células no nosso organismo tem um conjunto de 6 proteínas à sua superfície (3 provenientes da mãe e 3 provenientes do pai) que definem a sua “identidade imunitária”. Este conjunto é conhecido como complexo HLA (de Human Leucocyte Antigen) e a probabilidade de que duas pessoas que não sejam relacionadas tenham um complexo HLA idêntico estima-se ser inferior a 0,01%. Se o sistema imunitário encontrar células em circulação no organismo com um HLA diferente do seu, assinala-as como estranhas e trata de as eliminar, o que dá origem à rejeição de um transplante.
Para que o organismo aceite um transplante parcialmente compatível (4/6 significa que 4 das 6 proteínas são iguais) devem tomar-se fármacos imuno-supressores, que atenuam a resposta do sistema imunitário.
Criopreservação: técnica que permite a conservação de substâncias biológicas com recurso a temperaturas extremamente baixas (< 150ºC). A estas temperaturas, todas as reações químicas (inclusivamente as que são responsáveis pela atividade biológica e pela morte celular) são extremamente lentas, o que permite a manutenção das suas propriedades durante longos períodos de tempo (provavelmente durante centenas de anos). O passo crítico desta técnica consiste na descida de temperatura, que se não for feita com auxílio de substâncias crioprotetoras pode danificar os materiais biológicos durante o arrefecimento.
Diferenciação: o processo pelo qual uma célula indiferenciada (estaminal, embrionária, ou outra) adquire as características de uma célula especializada, como por exemplo uma células do coração, do fígado ou de um músculo.
Doença do transplante contra o hospedeiro: é uma complicação comum dos transplantes de células estaminais alogénicos, na qual as células funcionais do sistema imunitário transplantadas reconhecem o paciente (hospedeiro) como “estranho” e montam um ataque imunológico. Por vezes também pode ocorrer numa transfusão sanguínea.
Epidermólise bolhosa: é um conjunto de disfunções do tecido conectivo hereditárias que se caracterizam pela formação de bolhas na pele e mucosas, sendo causada por mutações nos genes da queratina ou do colagénio. Como resultado, a pele torna-se extremamente frágil, o que a torna muito susceptível a danos e inclusivamente a cancros de pele.
Epigenética: consiste no estudo de características hereditárias que não dependem da sequência genética de um indivíduo, daí o nome epi- (à volta de) genética. Um dos melhores exemplos de epigenética é o processo de diferenciação celular, em que células estaminais totipotentes (do ovo ou zigoto) se transformam em todos os tipos de células de um organismo. Isto ocorre pela activação de alguns genes e pela inibição de outros, sem alteração da sequência de ADN das células.
Esclerose múltipla: é uma doença inflamatória crónica em que o lípido mielina (que reveste os axónios das células nervosas do cérebro e medula espinal) sofre danos, o que conduz à desmielinização e cicatrização (endurecimento) dos tecidos, em conjunto com um grande conjunto de sintomas, que incluem dificuldade em controlar funções como a visão, a locomoção e o equilíbrio. Não existe cura, e os tratamentos visam devolver as funções afectadas após um ataque, evitar novos ataques ou evitar a incapacidade.
Expansão de células estaminais: técnica que pretende multiplicar em laboratório o número de células estaminais de modo a que seja possível a sua utilização em investigação ou em terapia a partir de um número inicial limitado de células. É de particular interesse desenvolver esta técnica para as células estaminais hematopoiéticas, de modo a poder efectuar transplantes a partir de poucas células, como no caso de algumas unidades de sangue do cordão umbilical.
Fator de transcrição: é uma proteína que se liga especificamente a determinadas sequências de ADN, controlando assim a transcrição (leitura) de informação genética que se irá traduzir na produção de ARN e posteriormente em produção de proteínas. Os fatores de transcrição podem atuar singularmente ou em complexos com outras proteínas, promovendo ou inibindo a transcrição dos genes que controlam.
Fontes de células estaminais: Existem três tipos de células estaminais: totipotentes, pluripotentes e multipotentes. Os dois primeiros tipos podem obter-se essencialmente a partir de embriões, embora haja quem discuta a possibilidade de se obterem células estaminais pluripotentes a partir de sangue do cordão umbilical. As células estaminais multipotentes podem obter-se a partir de sangue do cordão umbilical, da medula óssea, de tecido adiposo, da pele, etc., isto é, que qualquer tecido adulto que as contenha.
Hemácias: também conhecidas como glóbulos vermelhos ou eritrócitos, são células sanguíneas constituídas essencialmente por hemoglobina, uma proteína de cor vermelha que confere a cor ao sangue. Estas células constituem cerca de 99% das células do sangue e têm como função o transporte de oxigénio dos pulmões para as células e a recolha do dióxido de carbono de novo para os pulmões.
Hematopoiese: é o processo de formação dos vários tipos de células do sangue. As células sanguíneas são geradas a partir de células estaminais hematopoiéticas, que num adulto se encontram na medula óssea, na denominada medula vermelha. No entanto, a hematopoiese não ocorre sempre nos ossos. Nas primeiras semanas de gestação, ocorre essencialmente no saco vitelino e na AGM (aorta, gónada e mesonefro), passando depois para o fígado e baço até ao sétimo mês de gravidez, e daí para a medula óssea até ao momento do nascimento e daí em diante.
Isquémia do miocárdio: a isquémia é um termo genérico que se refere à falta de fornecimento sanguíneo a um dado tecido ou órgão, que normalmente é devida a problemas dos vasos sanguíneos, por obstrução ou constrição destes. A isquémia do miocárdio significa um afluxo insuficiente de sangue ao músculo cardíaco, o miocárdio. Esta falta de fornecimento sanguíneo causa uma dor peitoral, também conhecida como angina de peito.
Leucemia: tipo de cancro do sangue ou da medula óssea que é caracterizado por uma proliferação anormal de células sanguíneas, normalmente glóbulos brancos. O termo ‘leucemia’ cobre um espectro alargado de doenças.
Leucócitos: também denominados de glóbulos brancos, os leucócitos são células produzidas na medula óssea que têm a função de defender o organismo contra doenças infecciosas ou de materiais estranhos. Existem vários tipos, que se dividem em granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos), linfócitos (células B e células T) e os monócitos (que se transformam em macrófagos).
Linfa: é um fluido intersticial que se encontra entre as células do corpo. Tem uma composição muito semelhante ao plasma sanguíneo, e contém glóbulos brancos, e tem como função distribuir glóbulos brancos pelo corpo, alimentar as células com água e nutrientes, e também veicular o excesso de líquido dos tecidos para o sangue.
Linfócitos: são um tipo especial de glóbulos brancos (leucócitos). Existem essencialmente dois tipos de linfócitos, os grandes e os pequenos. Os grandes são conhecidos como Natural Killer (exterminadores naturais), enquanto os pequenos podem ser do tipo T ou B, sendo que os T estão envolvidos na resposta imunitária celular, e os B são responsáveis pela produção de anticorpos.
Linfoma: é um tipo de cancro que inicia num tipo de glóbulos brancos do sangue (os linfócitos) e apresenta-se como um tumor sólido de células linfóides, que formam massas tumorais nos nódulos linfáticos. Existem vários tipos de linfoma, de acordo com o tipo de linfócito afectado.
Marcador de superfície CD34: existem vários tipos de proteínas à superfície dos vários tipos de células existentes. Algumas destas proteínas ou conjuntos delas só surgem em determinados tipos de células, servindo assim para as distinguir de outros tipos. Estes conjuntos denominam-se Complexos de Diferenciação (CD) e são numerados à medida que vão sendo descobertos e descritos. O CD34 designa uma proteína que surge essencialmente à superfície de células estaminais hematopoiéticas, e que permite a sua identificação.
Medicina regenerativa: tratamento no qual as células estaminais são induzidas a se diferenciarem num tipo de células específico para reparar tecidos danificados. A comunidade cientifica está a explorar o potencial de usar células estaminais embrionárias, umbilicais e adultas no campo emergente da medicina regenerativa. Os cientistas da medicina regenerativa têm-se esforçado para entender como se poderá gerar quantidades suficientes de células estaminais, diferenciá-las em tipos específicos de células (cérebro, sangue, coração, por exemplo), ajudá-las a sobreviver depois de terem sido transplantadas, a funcionar correctamente e a não serem rejeitadas.
Medula espinal: é um feixe longo, estreito e tubular de nervos que é uma extensão do sistema nervoso central, partindo do cérebro e protegido pela coluna vertebral. A função principal da medula espinal é a transmissão de impulsos nervosos entre os nervos periféricos e o cérebro.
Medula óssea: é o tecido esponjoso e gelatinoso que se encontra no interior dos ossos. Existem dois tipos de medula óssea, a vermelha, responsável pela produção de sangue, e a amarela, que produz tecido adiposo. Na altura do nascimento, toda a medula é vermelha mas com o passar do tempo vai-se convertendo em medula amarela, e num adulto a medula vermelha encontra-se essencialmente nos ossos planos.
Meio de cultura: consiste no líquido que cobre as células numa placa de cultura e que contém nutrientes que alimentas as células. O meio também pode incluir outros factores de crescimento adicionados para produzir mudanças pretendidas nas células.
Mieloma múltiplo: é um tipo de cancro de causa desconhecida que afecta as células plasmáticas, isto é, os glóbulos brancos que produzem anticorpos. As células plasmáticas cancerosas multiplicam-se anormalmente e dão origem a anticorpos monoclonais anómalos, que se acumulam no sangue e o tornam mais espesso. Por outro lado, as células cancerosas acumulam-se na medula óssea e na parte sólida do osso, causando problemas no desenvolvimento normal das células sanguíneas. O nome de “múltiplo” deriva do facto de afectar ossos múltiplos.
Neuroblastoma: é um tipo de cancro do sistema nervoso de origem embrionária, que ocorre em recém-nascidos e em crianças até aos 10 anos de idade. Normalmente tem início nas glândulas adrenais, que encontram sobre os rins, mas também pode surgir no pescoço, no peito ou na medula espinal. Os sintomas mais comuns são um alto no peito, pescoço ou no abdómen, olhos salientes, manchas escuras à volta dos olhos, dores nos ossos, estômago inchado e dificuldades respiratórias em bebés ou incapacidade de mover um dos membros.
Neurónios: células nervosas que constituem a unidade estrutural e funcional do sistema nervoso. Um neurónio consiste num corpo celular e seus prolongamentos – um axónio e uma ou mais dendrites. Os neurónios funcionam por iniciar e conduzir impulsos. Os neurónios transmitem impulsos para outros neurónios ou para células por meio da libertação de neurotransmissores nas sinapses.
Oligodendrócito: uma célula de suporte que fornece isolamento às células nervosas ao formar uma bainha de mielina (uma camada de gordura) à volta dos axónios.
Paralisia cerebral: é um termo genérico que abrange um conjunto de situações de deficiência física no desenvolvimento, em particular na área do movimento corporal. É devida à lesão de uma ou várias partes do cérebro, provocada frequentemente por falta de oxigenação das células cerebrais, que pode ocorrer durante a gestaão, no nascimento ou durante os primeiros anos de vida, em que o cérebro da criança ainda está em desenvolvimento. Embora existam várias terapias, nenhuma permite uma cura completa.
Plaqueta: também conhecida por trombócito, são células sem núcleo derivadas da fragmentação de megacariócitos precursores (um tipo de glóbulo branco). A principal função das plaquetas é a coagulação do sangue, embora também sejam uma fonte natural de factores de crescimento. A falta de plaquetas pode causar sangramento excessivo (trombocitopenia), enquanto o seu excesso pode levar à formação de coágulos (trombose).
Plasticidade: a capacidade que as células estaminais de um tecido adulto têm para gerar tipos celulares diferenciados de outro tecido.
Sangue: é um tecido fluido gerado na medula óssea vermelha que tem a função de transportar nutrientes e gases no organismo. Cerca de 55% do volume do sangue é um líquido designado de plasma (o soro é o plasma sem fibrinogénio) enquanto os 45% restantes são as células sanguíneas. Cerca de 99% destas células são glóbulos vermelhos (hemácias), e as células restantes são leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas.
Sífilis: é uma doença infecciosa causada por uma bactéria espiroqueta denominada Treponema pallidum. Tipicamente é uma doença transmitida sexualmente, mas existem exemplos de transmissão da mãe para o bebé durante a gravidez (sífilis congénita). Os sintomas são vários, o que torna o seu diagnóstico difícil. Embora seja tratável com antibióticos, se não for tratada pode danificar o coração, a aorta, o cérebro, os olhos e os ossos, e pode ser fatal.
Talassemia: também conhecida por anemia mediterrânea, esta doença é causada por um problema na produção de hemoglobina nos glóbulos vermelhos. É uma hemoglobinopatia hereditária, isto é, transmissível de pais para filhos. Existem vários tipos de talassemia, de acordo com o tipo de modificação que ocorre na estrutura dos constituintes da hemoglobina, classificando-se em talassemia alfa, beta ou delta.
Terapia celular: tratamento através do qual se induzem células estaminais a diferenciar-se num tipo celular específico necessário para reparar células ou tecidos destruídos ou danificados.
Teratoma: verifica-se que se consegue estabelecer uma linha celular humana de células estaminais embrionárias injectando as potenciais células estaminais em ratinhos com um sistema imunitário não funcional. Dado que as células estaminais não podem ser destruídas pelo sistema imunitário do ratinho, sobrevivem e formam um tumor benigno com várias camadas celulares denominado teratoma.
Transferência de núcleos de células somáticas: processa-se uma célula ovo normal de um animal para retirar o núcleo, a parte da célula que contém o material genético. Em seguida, funde-se o núcleo de uma célula somática (qualquer célula do corpo que não seja um óvulo ou espermatozóide) com o ovo cujo núcleo foi removido. Esta célula somática é retirada de um paciente que necessita de uma transfusão de novas células para tratamento de uma doença. O ovo, que agora contém o DNA do paciente, divide-se e rapidamente forma uma esfera oca de células denominada de blastocisto. O blastocisto contém uma camada exterior de células e um grupo interno chamado de massa celular interna. As células da massa celular interna são isoladas e usadas para desenvolver novas linhas de células estaminais. Estas células são pluripotentes, o que significa que poderão dar origem a muitos tipos de células especializadas do corpo humano e podem ser usadas para substituir células ou tecidos que foram destruídos ou danificados. A razão pela qual a transferência de núcleos de células somáticas (por vezes denominada de clonagem terapêutica, embora esta técnica nada tenha a ver com clonagem de seres humanos) é usada para obter células estaminais é porque deste modo consegue-se superar a questão da incompatibilidade de tecidos e possíveis rejeições.
Transplante de células estaminais: transferência de células estaminais de um indivíduo para outro da mesma espécie (transplante homólogo alogénico) ou de espécies diferentes (xenotransplante), ou transferência para o próprio indivíduo (transplante autólogo). A fonte e localização das células estaminais determina a sua potencialidade ou pluripotência para se diferenciar em vários tipos celulares.
Transplante hematopoiético: utilização de células hematopoiéticas (produtoras de sangue) com fins terapêuticos, normalmente a substituição de células hematopoiéticas doentes do receptor por células saudáveis do dador. Os transplantes podem ser alogénicos (o dador e o receptor são pessoas diferentes mas compatíveis) ou autólogos (o dador e o receptor são a mesma pessoa). Neste último caso as células extraídas da medula óssea ou sangue periférico podem conter células doentes antes da sua re-infusão no doente e causar uma recaída.
Trofoblasto: é o tecido extra-embrionário responsável pela implantação, pelo desenvolvimento em placenta, e pelo controlo da troca de oxigénio e de metabolitos entre a mãe e o embrião.